16 julho 2007

Portugal em Espanha


NOTA de IMPRENSA
Miguel Mattos Chaves
Vogal da Comissão Política Nacional
do CDS-PP

Portugal acabará por integrar-se na Espanha ?
(in Diário de Notícias de 15 de Julho de 2007)

Li com verdadeira estupefacção o artigo publicado no DN com o bombástico titulo acima descrito. Esta manchete, digna do pior dos jornais sensacionalistas, foi retirada da entrevista ao comunista, internacionalista e residente em Espanha, José Saramago.
Que o Sr. Saramago diga o que lhe apetece, em consonância com os seus valores internacionalistas e de negação permanente da sua nacionalidade de origem, (que não é a sua de eleição), é lá com ele e está no seu pleno direito. Que queira arranjar entrevistas que façam vender mais os seus livros, e que tente servir-se dos jornais para esse fim, é lá com ele.
Mas que o DN, que reputo de jornal sério, puxe para manchete de primeira página esta parte das opiniões do entrevistado é que já me parece configurar uma deriva deste jornal para o mais baixo sensacionalismo.
O que é pena! O que me confrange como português e como cidadão desta Nação de mais de oito séculos!
Por duas razões: em primeiro lugar a seriedade a que o Diário de Notícias nos habituou, não me fazia esperar tal; em segundo lugar, porque este é um jornal com uma respeitável idade e um jornal de expansão nacional, que habituou os portugueses, meus compatriotas, à manutenção de algum critério jornalístico que evitou, até agora, fazê-lo cair na negação da nacionalidade dos que têm sido a sua fonte de receitas e o ganha-pão dos seus colaboradores.
Os nossos antepassados andaram séculos a arranjar forma de conseguirem um auto-governo para a Nação portuguesa. E conseguiram-no depois de muitas guerras com as diversas Nações da Espanha.
Conseguiram unir a Nação, o Povo e o Território; conseguiram instalar e preservar um Poder Político que, emanando da Nação, governasse e autonomizasse Portugal das restantes Nações.
A manutenção desse auto-governo, e o seu reconhecimento internacional, custou muito sangue e trabalho ao Povo Português, através dos tempos e tem dado muito trabalho, custado muitas lutas, muitos dissabores, aos governantes que nos têm conduzido durante oito séculos de história.
História longa, vasta e rica em dedicação das várias gerações de verdadeiros portugueses; história individualizada por acontecimentos próprios derivados da vontade expressa dos nacionais (do Povo portugês) de todas as gerações.
A existência da Nação Portuguesa, a existência de Portugal, e da sua capacidade de auto-governo não pode ser posta em causa por um qualquer pretenso iluminado! Não pode ser posta em causa por opiniões veiculadas de forma sensacionalista, sobretudo por um jornal que é tido como referência.
Os Arménios, os Curdos, os Tibetanos, os Bascos, os Catalães, e outras inúmeras Nações/Povos, andam á séculos a tentar conquistar a sua capacidade de auto-governo; andam há séculos a tentar conquistar a sua independência; andam há séculos a tentar conquistar o direito a constituírem um Poder Político próprio que os governe e que seja reconhecido internacionalmente. Não têm tido sucesso, até agora. Mas continuam na sua luta porque não querem ser dependentes, políticamente, de outros Estados.
Os Arménios, do Estado Russo, os Curdos do Estado Turco e do Estado Iraquiano, os Tibetanos do Estado Chinês, os Bascos e os Catalães do Estado Castelhano. E vem agora o escritor internacionalista, comunista e residente em Espanha, propôr aos portugueses que se aniquilem, que aniquilem a sua capacidade de auto-governo, que aniquilem a sua independência, que aniquilem a sua história de oito séculos, em favor de outra Nação, em favor de outro Estado?
Este homem sabe que não se vislumbra, por essa Europa fora, nenhum movimento de retrocesso em relação a independências adquiridas há menos tempo que Portugal. Ninguém tem conhecimento de que a Holanda se queira reintegrar na Alemanha, ou a Bélgica, ou parte dela, na França.Sabe, e di-lo, que um dos problemas das elites em Portugal, ao longo dos séculos, é o seu desprezo pelo povo que as sustenta e a tentação da riqueza fácil "adquirida", se necessário, vendendo-se ao estrangeiro. Sabe que o próprio povo tem varrido essas elites.
Mas dele tudo se espera, desde que seja para vender os seus livros!
De outros como ele, nomeadamente parte da Nobreza da época de 1383, parte da Nobreza de 1580 que queriam mais propriedades e mais Títulos Nobiliárquicos, tudo se espera!
De alguns portugueses, que vivem na miragem de que se nos integrássemos em Espanha ganhariam mais dinheiro e teriam mais regalias, tudo se espera!
Mas do que eu, e muitos milhões de portugueses, não estavámos á espera é que o Diário de Notícias fizesse disso manchete de primeira página, tornando-se assim num aliado objectivo desse tipo de pessoas que não querem um Portugal Independente e Soberano no concerto do Sistema Internacional de Nações.
E já agora... não creio que as pessoas hoje ainda não saibam o significado da palavra nacionalismo!? Nacionalismo é a adesão e o sentimento de pertença a uma nacionalidade, a uma Nação.
Quem não tem esse sentimento, (que não tem nada a ver com a rejeição de outras nacionalidades, mas sim com a escolha de pertença a uma), deveria abdicar dela e tornar-se nacional de outra Nação.
Assim recomendo ao Sr. Saramago que opte pela nacionalidade espanhola.
E recomendo ao Diário de Notícias que recupere a sua linha de seriedade intelectual, que sempre o tem caracterizado, e que agora ficou manchada por esta infeliz manchete.


Miguel Mattos Chaves
Gestor de Empresas
Mestre em Estudos Europeuspela Universidade Católica
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