04 junho 2014

Porque MUDOU o CDS para CDS-Partido Popular - História pelo autor

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a VERDADEIRA HISTÓRIA da mudança de CDS para CDS-PP
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Fui encontrar a minha proposta, então feita á Comissão Directiva presidida pelo Dr. Manuel Monteiro, sendo eu à época Director de Marketing do Partido, e que foi aprovada entre outros ...pelo Engº Kruss Abecassis, Dr. Luís Queiró, Prof. Dr. Narana Koissoró, Dr. Jorge Ferreira, e naturalmente pelo Dr. Manuel Monteiro.
Aqui fica a minha contribuição.
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CONFIDENCIAL

PARA: Dr. Manuel Monteiro – Presidente da Comissão Política do CDS
DE: Miguel de Mattos Chaves – Director de Marketing do CDS
DATA: 11 de Janeiro de 1993
ASSSUNTOS:
1. REPOSICIONAMENTO POLÍTICO do CDS
2. NOVA DENOMINAÇÃO do PARTIDO
3. MEMÓRIA DESCRITIVA da NOVA BANDEIRA do CDS

SÍNTESE da PROPOSTA

(A) REPOSICIONAMENTO do CDS no Sistema Partidário ao nível da Doutrina, Ideologia e Programa de Acção.

(B) MUDANÇA da denominação:
de Partido do Centro Democrático Social adoptar-se-á a denominação de
CDS – PARTIDO POPULAR

(C) A SIGLA a adoptar será:
CDS – PP

(D) A BANDEIRA: (DESENHOS e PANTONES em ANEXO a esta proposta)
Fundo AZUL ESCURO ou BRANCO,
Setas em AMARELO ou AZUL ESCURO
ESFERA em AMARELO.

PROPOSTA

1. OBJECTIVOS e JUSTIFICAÇÃO

1.1 - Pretende-se “modernizar” junto do eleitorado a Imagem do partido de forma a amortecer a imagem de partido envelhecido e desgastado pela saída/afastamento de anteriores líderes e dirigentes históricos.

1.2 - Pretende-se igualmente recuperar o élan do partido, re/posicionando o CDS-PP claramente na DIREITA DEMOCRÁTICA, na linha dos Partidos Conservador Inglês, Gaulista Francês e Popular Espanhol.

1.3 - Pretendem-se agregar no Partido duas linhas políticas da Direita:
- Os Conservadores
- Os Democrata-Cristãos

1.4 - É sabido que em termos de Ciência Política o Centro não existe. È puramente uma convergência pouco saudável e pouco esclarecedora de pontos doutrinários da esquerda e da direita que induz confusão e posicionamento pouco claro na mente dos eleitores.
Os Liberais, defendendo basicamente a Lei do Mais Forte, não são consonantes com os princípios e valores da DIREITA CONSERVADORA e DEMOCRATA-CRISTÃ.

1.5 - Já não havendo receios sobre eventuais represálias dos Militares sobre o Partido;
Estando a vida democrática normalizada pela alternância de Poder;
Tendo-se diluído os fantasmas do passado;
Havendo uma NOVA GERAÇÃO a quem o Estado Novo nada diz;
Estando a representatividade do ESPAÇO da DIREITA MODERNA, DEMOCRÁTICA sem ocupante;

1.6 - Penso que é tempo de o Partido assumir esse ESPAÇO LIVRE sem complexos, sem receios;
Para mais o eleitorado de DIREITA está hoje:
(A) Abandonado ideologicamente;
(B) Acantonado, em partes iguais, no CDS, no PPD e na ABSTENÇÃO;
(C) Órfão de representação clara em termos dos Partidos Políticos;

1.7 - Existe uma oportunidade de crescimento para o CDS, se o reposicionamento for:
(A) Claro, do ponto de vista Doutrinário;
(B) Afirmativo, do ponto de vista Ideológico;
(C) Cristalino, na proposta, em consonância com (A) e (B), de um Novo Modelo de Sociedade, mais justa, mais realista, mais defensora dos Interesses Nacionais.

Acresce o facto de o CDS, ter desde o ano transacto, uma Liderança JOVEM, com quadros JOVENS, misturada com QUADROS EXPERIENTES e CREDÍVEIS, estes oriundos da Sociedade, dita, Civil dotados de experiência em empresas, associações, etc…

Esta simbiose é saudável porque representativa da realidade da vida humana. Os mais jovens empurram a sociedade, os mais velhos ensinam os mais novos e transmitem-lhes o saber provindo da “universidade da vida”, evitando extremismos e faltas de senso.

1.8 - Esta mistura é relevante se for transmitida para o eleitorado a Imagem de:
(A) Partido não conformado com a situação;
(B) Partido disposto a proceder a “rupturas” de modelo e discurso na sua actuação política;
(C) Partido afirmativo e sem complexos que fale aos vários grupos influentes da sociedade votante: pescadores, agricultores, empregados por conta de outrem, pequenos e médios empresários. (já que o grande capital NÃO É FIEL a nenhuma Doutrina, Ideologia ou Partido, dado que defende interesses próprios e egoístas, sem preocupações com o bem estar geral da população). A estes últimos deverá o Partido dirigir acções de captação de fundos necessários à sua acção política, sem se comprometer demasiado com contrapartidas.

1.9 – Para que esta reposicionamento seja forte e credível haverá que FORMAR os nossos QUADROS DIRIGENTES: Nacionais, Distritais e Concelhios, numa primeira fase. Numa segunda fase deverá ser dada FORMAÇÃO DOUTRINÁRIA e IDEOLÒGICA aos nossos MILITANTES.

É sabido que uma Organização cujos seus elementos falem uma mesma linguagem, tem uma força de atracão muito superior a outras.
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1.10 – Um outro ponto a ter em atenção tem a ver com a COMUNICAÇÃO SOCIAL.
O partido Não tem implantação neste segmento humano da sociedade. A Esquerda “assaltou” os meios e agora o PPD com a sua permanência no Poder, está a fazer o mesmo.

Logo temos de:
(A) Fundar órgãos de comunicação social próprios, recorrendo a financiadores ideologicamente identificados com a DIREITA e próximos do Partido. Pode-se começar por órgãos de comunicação social regionais, mais próximos dos cidadãos, e depois avançar para os nacionais.
(B) Formar e apoiar o aparecimento de Jornalistas de Direita;
(C) Proporcionar as mesmas benesses que o PCP, PS e PPD, proporcionam aos jornalistas… sendo certo que não sendo o CDS um Partido do Governo, por enquanto, terá algumas dificuldades acrescidas nessa matéria.
(D) Aconselha-se o “aproveitamento” das amizades internas com o Director do “Independente” e com os seus jornalistas, para começar uma acção de fundo, nesta matéria.

1.11 – É muito conhecido o conceito:
“A Igreja não cresce com os seus Fiéis … cresce com os que consegue converter”.

Ora a converter parcialmente existem cerca de 2.000.000 de pessoas. Sendo uma grande tarefa, não é impossível com um discurso a um tempo de ruptura e a outro tempo de devolução de valores concretos às pessoas.

O Partido pode estar em vantagem: Sociologicamente a Direita representa em Portugal cerca de 30% a 35% do eleitorado. Esta está dividida entre o CDS, o PPD e a Abstenção.

Se os Dirigentes Nacionais dedicarem parte do seu tempo livre a irem pelo país falar directamente com os cidadãos comuns, podemos ao longo dos próximos 2 anos (até 1995) recuperar e conquistar parte dessa “fatia” eleitoral.

Uma estimativa que arrisco, se tudo for feito, como atrás descrito, é a de que o Partido poderá conquistar á volta de 10% do eleitorado em 1995 e cerca de 15% em 1999. Se assim for o Partido poderá triplicar o seu número de Deputados à Assembleia da República, ou mais (entre 12 a 17 deputados).
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Mas para isso terá de haver coerência absoluta, estabilidade directiva, nenhuma indecisão, e resistência absoluta a “andar atrás” da agenda da Comunicação Social. Qualquer crise directiva poderá deitar tudo a perder.
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2. DENOMINAÇÃO

2.1 - Centro Democrático Social fez o seu tempo.

2.2 - No entanto não podemos correr o risco de ruptura no RECONHECIMENTO dos eleitores que têm votado no CDS.
2.3 - Mas nesta altura, com o Partido reduzido a 4 Deputados, existe pouco a perder e é a altura de, sem perder a IDENTIFICABILIDADE adquirida, proceder a mudanças significativas.

2.4 - A Aliança Popular espanhola mudou recentemente a sua denominação para Partido Popular Espanhol;
O agrupamento europeu a que o CDS tem pertencido é o PPE – Partido Popular Europeu;

2.5 - O termo Popular pode fazer aproximar mais os cidadãos dos seus eleitores. Pode ajudar a desfazer a Imagem de PARTIDO ELITISTA que se instalou em boa parte do eleitorado e que tem impedido o Partido de agregar a DIREITA POPULAR.

2.6 - Por todas estas razões a nova denominação proposta por alguns dirigentes e que agora se acolhe neste documento, parece-me de adoptar, com uma nuance:
CASAR A DENOMINAÇÂO ACTUAL com a NOVA.

Assim o vocábulo POPULAR entraria na denominação sem RISCOS GRAVES de perda de Identidade.

2.7 - Por isso proponho que o Partido adopte a denominação de CDS-PARTIDO POPULAR.

2.8 - E como SIGLA: CDS-PP

Fonéticamente é forte, é sonante e não provoca uma ruptura excessiva.

Eventualmente alguns dos Fundadores não gostarão, por natural empatia com a actual denominação do que ajudaram a fundar, mas não muito mais do que isso.
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3. BANDEIRA (VER DESENHOS E PANTONES em ANEXO)

3.1 - Em consonância com a alteração da Denominação do Partido a bandeira deverá sofrer algumas alterações.

3.2 - Propõem-se duas alternativas:

(A) A alternativa Conservadora
A Bandeira terá um fundo AZUL ESCURO, as SETAS e ESFERA em AMARELO.
As LETTERING inscrito será: CDS-PP

Abandona-se de vez a Bandeira de fundo BRANCO, SETAS PRETAS e ESFERA PRETA, por ser cromáticamente pouco apelativa e triste.

Mantêm-se as alterações à bandeira original (branco e preto) introduzidas há alguns anos, apenas se reformulando a inscrição da Denominação.

Estas cores (AZUL e AMARELO) têm sido POUCO ou NADA usadas, a não ser nas bandeiras internas.

São cores fortes e apelativas.

(B) A alternativa de Evolução (em dois tempos)
1º Tempo – Fundo BRANCO PÉROLA, as SETAS em AZUL ESCURO e a ESFERA em AMARELO, (simbolizando o SOL);

2º Tempo – Fundo BRANCO PÉROLA, UMA SETA VINDA DA DIREITA e o SOL (esfera) para a qual apontará.
A simbologia prende-se com o acabar do posicionamento ao CENTRO do partido e com a necessidade de o colocar à DIREITA do sistema. O AZUL tem conotações positivas e o seu “casamento” com o AMARELO é rico cromáticamente e alegre.

O Branco de fundo pretenderá fazer a ligação à genuinidade dos nossos Valores Doutrinários e Ideológicos e à ausência de passado culposo.

As três cores casadas têm uma conotação de Alegria, Genuinidade e Pureza, transmitindo movimento e inovação.
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4. RESUMO
As Acções, Conceitos e Palavras-Chave que ajudarão a definir e a concretizar, em minha opinião, esta mudança necessária são:

• REPOSICIOMENTO DOUTRINÁRIO e IDEOLÓGICO;
• JUVENTUDE casada com a EXPERIÊNCIA;
• Trabalho de EQUIPA;
(Porta Vozes Sectoriais – Presidente só para as questões de Estado e mais importantes da Governação – 1º Ministro Sombra e Ministros Sombra)

• NOVA EQUIPA DIRIGENTE sem COMPLEXOS e DISPOSTA ÀS NECESSÀRIAS RUPTURAS POSITIVAS para o PAÍS;
• IMAGEM de ALEGRIA e GENUÍNIDADE;

• FORMAÇÃO POLÍTICA;
• FALAR PESSOALMENTE COM OS ELEITORES.

São estas, em síntese, as minhas propostas.
Aguardo os comentários e/ou correcções que acharem por conveniente.

Sem outro assunto de momento e na expectativa das vossas notícias, subscrevo-me

De V.Exas.
Atentamente
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O Director de Marketing do CDS
(Miguel de Mattos Chaves / Dr.)
Lisboa, 11 de Janeiro de 1993
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