14 agosto 2015

A COMPETITIVIDADE faz-se pelos Baixos Salários? NÃO !

É lamentável ler determinados textos publicados em que se defende que a Competitividade se faz através de baixos salários e pouco mais interessa.
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Em primeiro lugar:
Não são os Estados que competem entre si.
Quem compete são as empresas e só pelo resultado da soma das suas actividades um país é chamado á colação.
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Deviam saber isto, mas aparentemente ignoram.
- Defeito da sua Formação?
- Defeito das Universidades?
- Ou será apenas ignorância pura e dura?
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Um dia disse a um Insigne Professor de Economia, infelizmente já desaparecido:
- “… sabe Professor o nosso problema é que dos ditos empresários 95% são na verdade apenas negociantes e apenas 5% têm verdadeiramente direito a esse nome, pois são os que sabem que é o Factor Humano que faz a diferença entre empresas, para já não falar de saberem o que é uma estratégia, o que são mercados, etc.... coisa que os restantes 95% não fazem a mais leve ideia.
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Com grande surpresa minha ouvi a sua resposta:
- “…sabes se tivéssemos 5% de empresários dignos desse nome, seriamos um país rico. O problema é que temos apenas cerca de 30 a 40 empresários, o resto são negociantes...". citei.
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Já o Relatório Melander (da OCDE) de 1958 punha o dedo na ferida sobre esta matéria. O grave é que, passados cerca de 60 anos, esta realidade se mantém.
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Falam-me esses senhores, poucos felizmente mas com grande cobertura mediática, (Os ditos Economistas avençados pelo Regime e alguns Governantes) que esta matéria (a competitividade através dos salários baixos) faz parte dos consensos da U.E., B.C.E. e F.M.I.
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E Perguntou eu a esses senhores:
- QUAIS CONSENSOS?
Meus caros, sejamos sérios.
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Quais consensos? Os que se formaram nos anos de 1980 que postulavam três ideias:
- 1) Desindustrializar a Europa! Transformar Portugal num País de Serviços!
Tenho a dizer que este postulado produziu um Excelente resultado, como aliás se vê!
Isto é, desemprego estrutural e não conjuntural e o empobrecimento do País.
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- 2) Concorrer em salários com espaços económicos cujos factores de produção são próximos da escravatura! (China e outros)
Excelente postulado, mais uma vez, com os resultados que se vêm!
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- 3) Consenso sobre o País dos Serviços!
Direi apenas que, em função dos resultados de tão “inteligentes” enunciados a Europa e Portugal estão a precisar de Novas pessoas (seja qual for a sua idade) com Bom Senso, Visão Estratégica e Espirito de Missão.
Coisa que há muito desapareceu das características dos decisores políticos.
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- 4) O Sistema de Previdência e os seus contribuintes/benificiários tem que ser emagrecido:
- Já agora os Senhores que tanto criticam o Tribunal Constitucional Português e que tanto glorificam as instâncias internacionais:
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- Será que podem fazer um esforço para serem mais sérios e relatarem aos portugueses qual foi a Decisão do Tribunal Constitucional da Alemanha sobre as Reformas e Pensões:
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Vejamos:
- No seu Acórdão de 2011 este Tribunal considerou as Reformas/Pensões."...um DIREITO de PROPRIEDADE dos cidadãos..." citei !
E consequentemente, inalienável.
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Nem a Srª Merkel nem o Sr. Schaubel (Ministro das Finanças Alemão) se atreveram sequer a comentar este Acórdão.
Limitaram-se a respeitá-lo.
É que se o tivessem feito (criticar) sabem bem que seriam alvo de um eventual quadro que os poderia levar a uma situação de grave penalização política.
É que os cidadãos alemães estão pouco disponíveis para situações de desrespeito.
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Em contraste, no nosso Portugal, um chefe de Governo permitiu-se tecer comentários pouco urbanos e nada aconteceu.
Enfim.
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Assim publicamente dou um CONSELHO (isso mesmo, um Conselho) a esses senhores “Economistas” do regime, que não se devem confundir com aqueles Economistas sérios que trabalham no duro nas empresas e aos Senhores Governantes em exercício:
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E o meu Conselho é:
- ESTUDEM bem, PENSEM bem, REFLICTAM bem, antes de dizerem certas coisas.
Fica-lhes mal e, mais grave, deslustram a classe dos Economistas e a classe Política.
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E por último, gostava de esclarecer como se produz a Competitividade. Aqui deixo apenas umas pistas:
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- a Competitividade faz-se:
A) Pela selecção criteriosa, pela formação continua e pela motivação permanente do pessoal;
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B) Pela diferenciação de produtos/serviços produzidos e seu valor acrescentado;
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C) Pela diversificação de mercados, diluindo riscos;
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D) Pela adopção de uma política de “Quality Insurance” (desde a concepção à entrega, dentro dos prazos, ao cliente e ao consumidor).
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E) Pelo reconhecimento material e psicológico de quem tem mérito e de quem se destaca em eficiência e eficácia produtiva.
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A Competitividade Saudável, (aquela que proporciona lucros permanentes) NÃO se faz por pagar baixos salários, por baixar salários desmotivando com isso as pessoas, pois esta desmotivação tem como efeito a redução da sua produtividade e logo, em consequência, baixa a competitividade das empresas.
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Faz-se pelas práticas por mim acima enunciadas e por outras que vos poderei ensinar.
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MAS isso DEVIAM os Senhores Políticos do Governo e os Senhores Economistas do regime, saber!
Mas pelos vistos, não sabem, o que é MUITO TRISTE.
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Por fim, sendo eu de Direita é para mim insuportável ouvi-los a afirmarem que também o são.
NÃO, meus caros, o que os senhores são é ideólogos do vosso bolso, apenas e só ou de interesses que nada têm a ver com o Interesse Nacional!
Por favor não insultem a Direita que está farta de vós e das vossas frases feitas e dos vossos dislates.
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Estudem um pouco mais, leiam menos livros “da moda” e pensem mais nos destinatários das vossas actividades:
- os Vossos Concidadãos Portugueses.
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Por fim:
1) A propósito do salário mínimo
SE uma empresa não pode pagar 520 euros de salário, lamento dizê-lo é porque se verificam uma de duas condições:
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1.1) A empresa é mal gerida;
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1.2) Não tem viabilidade económica e como tal está a mais no sistema económico;
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1.3) ou as duas razões em conjunto.
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Seja como for, está a mais no tecido económico português.
Ponto final!
O resto são considerações de quem não percebe nada de gestão de empresas ou pior que isso, apenas está preocupado com o seu próprio bolso com a agravante de não perceber que a dimensão do seu bolso está dependente do "vestir a camisola" dos seus empregados.
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2) Já agora os salários são demasiado elevados SE ...
2.1) A empresa não conhecer os seus mercados e se esquecer de desenvolver as acções competentes de trabalho em profundidade nos mesmos;
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2.2) Se não tiver o cuidado de, em permanência, procurar alternativas de clientes e consumidores, não deixando que nenhum cliente assuma uma posição dominante que, em caso da sua saída da carteira de clientes, faça perigar a estabilidade económica e financeira da mesma;
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2.3) Se não tiver a preocupação de constantemente inovar em produtos e serviços que vende, seja por tornar o seu portfólio de produtos/serviços mais extenso em profundidade ou seja através da sua diversificação.
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Enfim, é fácil ir aos salários e despedimentos.
Já o resto não é para todos, como é bom de concluir pelos textos publicados.
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Dito isto, é com profunda tristeza a apreensão sobre o futuro de Portugal que procedo hoje a esta análise da situação real do sistema político e de parte significativa do sistema económico.
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Não cabe, neste texto, uma análise sobre os verdadeiros culpados da presente crise, que poucos têm denunciado: o Sistema Financeiro de que o Poder Político se tornou cúmplice por acção ou por omissão.
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Uma palavra de esperança: no meio deste quadro geral ainda há muitas empresas capazes e gestores capazes, que têm ajudado a minorar os estragos provocados pelo sistema financeiro, através das exportações.
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Sei que os Portugueses respondem normalmente bem, dada a sua invulgar resiliência, aos disparates dos poderes políticos. Resta-me aguardar para ver se continuam a responder bem, tal como o têm vindo a fazer neste último ano. Creio que sim.
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Isto apesar da mediocridade do 1º Ministro e do Líder da Oposição.
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Valha-nos isso.
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Melhores cumprimentos
Miguel Mattos Chaves 
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