05 julho 2016

COMENTÁRIO à SITUAÇÂO da dita “União” – e a certas “reacções internas”

RESUMO:
A Comissão dá SINAIS NEGATIVOS aos MERCADOS na esperança que estes nos penalizem com JUROS MAIS ALTOS, adiando propositadamente qualquer decisão. 
...
Ameaça igualmente preparar-se para actuar sobre Portugal, ou ao exigir novas “medidas” ou a impôr sanções mesmo que simbólicas, que terão o mesmo efeito sobre os MERCADOS.

E os Partidos (PSD, o que não me espanta nada) e o CDS (que me espanta muito) esforçam-se por obter esses mesmos resultados por parte dos mercados, com estas atitudes Disfarçadas e Hipócritas, mas que os analistas sabem ler e interpretar.


TEXTO: (1). As FINANÇAS da EUROPA
Em FRANÇA as previsões económicas têm dividido, em versão “soft”, o Governo de França e os Comissários da União Europeia.

(a). Quanto ao Défice a Comissão prevê que a França tenha 3,4% em 2016, e em 3,2% em 2017.

(b). Já o Presidente Hollande diz que o défice será de 3,3% em 2016 e de 2,7% em 2017.

Conclusão: O quadro significa que a França estará em incumprimento das regras do Pacto de Estabilidade em 2016 e previsivelmente em 2017.

(c). Em ESPANHA: o Governo já disse à C. E. que nem pensem no défice que eles queriam, que era de 2,8%, para 2016.

(d). Assim a Espanha já fez saber que será de 3,6% em 2016 e só em 2017 descerá para os 2,9%.

Reacção: A Comissão disse que “A França é a França” e no caso de Espanha disse que “compreendia”.

(2). “HÁ UNS MAIS IGUAIS QUE OUTROS”
Ou seja:
- Enquanto a Comissão Europeia diz a PORTUGAL que, mesmo que atinja um défice abaixo dos 3%, tem que propor novas medidas para a contenção das contas públicas,
- A França (país do Comissário Pierre Moscovici) o Défice, repito será em 2016 – 3,4% e em 2017 – 3,2%.

Pregunta:
Haverá Penalizações? Foram impostas novas medidas?
Não me consta!

O Presidente da Comissão, Juncker já veio dizer o que se passará:
- A França é a França!(Sic), ou seja não serão aplicadas a França as penalizações previstas.

Quanto a Espanha, o Governo de Mariano Rajoy já transmitiu à C. E. que não cumprirá a meta da Comissão que era de 2,8%, para 2016.
Assim a Espanha já fez saber que será de 3,6% em 2016 e só em 2017 descerá para os 2,9%.

A Comissão disse que “compreendia”.
Agora veio dizer que adia a decisão.
Pudera, com a recomposição de um novo Governo para Espanha ….

Por fim, o actual Governo Português anunciou no seu programa um défice de 2,2% para 2016, tendo a Comissão duvidado e previsto que o mesmo será de 2,7%.
Mesmo assim, seja abaixo dos míticos 3%.

Mas mesmo assim e ao contrário do que fez com a França e com a Espanha, a Comissão Europeia continua a ameaçar e ameaça pedir medidas suplementares a Portugal!
(leia-se penalizar com mais impostos os portugueses)

Já começa a ser demais este comportamento da Comissão Europeia;

(3). REACÇÃO à CARTA da Srª PRESIDENTE do meu PARTIDO (CDS)
endereçada ao Sr. Presidente da Comissão Europeia.

Sendo eu da Direita Conservadora e Militante do CDS, e seu ex-Dirigente Nacional, tenho a dizer o seguinte:

Infelizmente já começo a ter vergonha das reações do meu Partido (o CDS) que está a por os interesses da “política de mercearia interna”, leia-se de “lugares governamentais” à frente dos interesses nacionais.

Na verdade a Srª Presidente na sua carta declarou-se contra as penalizações eventuais.

E neste ponto preciso, tem o meu apoio incondicional.

MAS logo acrescenta em nota subliminar… e cito:

…“porque se é verdade que temos dúvidas profundas sobre o rumo escolhido pelo atual Governo, também é certo que a Comissão Europeia tem os instrumentos para acompanhar a acção deste Governo e prevenir atempadamente, na medida das suas competências, os desvios que coloquem em causa o cumprimento das regras pactuadas no seio da União Europeia.

Meu comentário:
Ou seja, e por outras palavras, a Srª Presidente passa a seguinte mensagem:
- “não aceitamos as sanções mas obriguem, submetam, o actual governo a cumprir o que vocês querem e vigiem-no”
- ou seja vocês é que mandam em Portugal e portanto mandem, mas nos prejudiquem (PSD e CDS) pois fomos nós que estivemos a governar até Novembro de 2015.

E mais adiante prossegue a Senhora Presidente do CDS:
“A nossa oposição às sanções anunciadas não constitui qualquer adesão às políticas do atual Governo. Aliás, temos sublinhado publicamente a necessidade de o atual Governo dar garantias firmes de que irá cumprir as metas fixadas no quadro do Orçamento de Estado e do Programa de Estabilidade.”

Meu comentário:
A sério Senhora Presidente do meu Partido?
(a). O Sr. Juncker não sabe que é outro partido a governar em Portugal?
(b). É Portugal e os portugueses que estão em causa?
Ou, para si, é a nossa luta política interna que está em causa?

Tudo tem limites Senhora Presidente:
Quando se trata de defender Portugal e os Portugueses face ao estrangeiro, diz o Bom-Senso, e diz o “Sentido de Estado” que não interessa quem está no Poder, mas sim os interesses nacionais;

Ao baixarmos para o nível baixíssimo do discurso do Dr. Passos Coelho, do PSD, sinto-me envergonhado Srª Presidente.

Os militantes e os simpatizantes do CDS não merecem este tipo de atitudes hipócritas, que me recuso a classificar com mais adjectivos, que não seriam nada agradáveis para V.Exª.

(4). CONCLUSÃO
E assim vamos nos:
- FRANÇA, ESPANHA, não cumprem …
- PORTUGAL não cumpriu…

E a Comissão dá SINAIS NEGATIVOS aos MERCADOS na esperança que estes nos penalizem com JUROS MAIS ALTOS, adiando propositadamente qualquer decisão
Ameaça igualmente preparar-se para actuar sobre Portugal, ou ao exigir novas “medidas” ou a impôr sanções mesmo que simbólicas, que terão o mesmo efeito sobre os MERCADOS.
...
E os Partidos (PSD, o que não me espanta nada) e o CDS (que me espanta muito) esforçam-se por obter esses mesmos resultados por parte dos mercados, com estas atitudes Disfarçadas e Hipócritas, mas que os analistas sabem ler e interpretar.

Por mim estou farto desta dita união federalista que nos está a destruir, em que mandam a França e a Alemanha e que TRAI a vontade dos Pais Fundadores da CEE.

Melhores cumprimentos
Miguel Mattos Chaves
Enviar um comentário