20 fevereiro 2017

a Pós-Verdade ... verdade? mentira? ...

Os “filtros” ao serviço da “PÓS-VERDADE”
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Aqui partilho o meu EDITORIAL do dia 10 de Janeiro, dada a sua actualidade. Boa leitura.
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Nos últimos dias de 2016, e nos primeiros dias deste ano, várias questões muito interessantes foram suscitadas quer no espaço nacional, quer no plano internacional.
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Elegi como primeira a afirmação de Pacheco Pereira de que está a surgir uma situação, que ele classificou de pós-Verdade”.
Queria este intelectual da política portuguesa referir-se ao cada vez mais notório fim do monopólio noticioso dos órgãos diários, de comunicação social tradicionais.
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E expressou mesmo o receio de que os novos meios (Internet e Redes Sociais) assumam cada vez mais um papel de relevo nesta matéria.
Tentando minorar a sua importância real, Pacheco Pereira discorreu sobre o assunto dizendo, nomeadamente, que tudo o que aí é veiculado seria, na sua maior parte, mentira ou notícias falsas.
Percebo bem o seu incómodo.
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Como comentador político, Pacheco Pereira tenta, como muitos outros, demonstrar que sem “os filtros” que ele diz existirem nos órgãos tradicionais, corre-se o risco de a verdade ser desvirtuada ou mesmo verificar-se a supremacia da mentira.
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Em primeiro lugar, gostaria de retorquir a Pacheco Pereira que, se é verdade que existe alguma mentira nesses meios, também é absolutamente verdade que aí aparecem notícias que são escondidas do público, e comentários, análises, opiniões elaboradas por pessoas muito capazes, e instruídas, a quem os “órgãos tradicionais” não dão voz, por estas serem contrárias ao “politicamente correcto” e ao politicamente alinhado com os interesses de certos grupos políticos dominantes, e de certos lobbies financeiros.
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Os “filtros” de que ele fala (leia-se jornalistas ou comentadores) são exactamente aquilo de que os cidadãos estão fartos, pois os órgãos tradicionais há muito tempo que deixaram de ser livres e tentam impor apenas os seus pontos de vista.
Coarctam, portanto, a apregoada Liberdade de pensamento e de expressão.
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Exceptuando o caso do semanário, "O Diabo" a verdade é que há muito poucos mais órgãos de comunicação social que sejam livres, e isso incomoda a, até aqui, “capacidade” de certos meios de formatarem a cabeça dos cidadãos, sem que estes tenham a possibilidade de ler, ou ouvir, outras versões dos factos.
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Caso para dizer - é a vida, caro Dr. Pacheco Pereira!
Foi ainda “enternecedor” ver a concordância também de Lobo Xavier e de Jorge Coelho nessa matéria.
Percebe-se bem porquê!
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Uma outra questão tem a ver com o debate que, ao contrário do que devia ter acontecido, está a ser a extrema-esquerda a suscitar, na sociedade portuguesa.
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A direita, conservadora e democrata-cristã, que teve esta iniciativa nos anos de 1990, parece completamente esquecida de que esta era uma “bandeira” sua. Ao invés de suscitar novamente a discussão, mantém-se calada.
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Refiro-me naturalmente à questão do Euro e da necessidade de haver um debate aberto na sociedade portuguesa sobre o tema, que é cada vez menos consensual.
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Por aqui, e sem os “filtros” dos tais comentadores televisivos, temo-lo feito e continuaremos a acolher e a incentivar este debate, que reputamos de essencial, e que nunca foi feito junto dos portugueses, mais a mais tendo em conta os danos que a moeda única tem provocado na economia de Portugal.
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A nível internacional, a verificação de alguma irresponsabilidade de atitudes do Presidente cessante dos EUA, que está a causar muitos danos a este país que, não fora a sua próxima substituição, poderiam levar a graves acontecimentos de tensão na cena internacional.
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Refiro-me à irresponsável atitude de Obama de hostilidade face à Rússia (Cristã-Ortodoxa) e à tentativa de condicionar o mandato do novo Presidente eleito.
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Apetece-me perguntar aos “filtros” acima referenciados: então os eleitores americanos eram inteligentes e sábios quando elegeram Obama para dois mandatos, e agora passaram a ser estúpidos e ignorantes por elegerem Donald Trump?
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As atitudes de irresponsabilidade, sem precedentes na história de transição de Presidentes dos EUA, ultimamente tomadas por Obama, levam-me a suspirar de alívio pela sua saída, e dos seus colaboradores, do comando da mais poderosa nação do planeta.
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Ainda na cena mundial um outro acontecimento tem a ver com a “desaparição”, dos telejornais e jornais, da situação na Síria após a conquista de Aleppo pelas forças governamentais e pela clara assunção de supremacia política assumida pela Rússia, na região. ...
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Ao invés de televisões de vários países ocidentais, em Portugal passaram apenas breves imagens do contentamento, demonstradas pela população de Aleppo e em várias outras cidades sírias, pelo acontecimento.
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A entrevista da Freira Espanhola que vivia em Aleppo também só passou uma vez nos meios tradicionais (RTP 1).
Felizmente que os cidadãos puderam vê-la, e ainda podem, no Youtube, Facebook e outros meios da “pós-verdade”, onde esta desmente de forma clara e inequívoca as “verdades” dos “filtros tradicionais”, e desmascara sem meias palavras os causadores da tragédia síria.
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Estes e outros acontecimentos continuarão em 2017 a ocupar muitas das mentes honestas que subsistem no panorama informativo português, como é o caso do semanário "O Diabo", e terão muitos desenvolvimentos que será muito interessante de seguir.
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Estes, a par dos resultados das várias eleições, em França, na Holanda, em Itália e na Alemanha, poderão, a par dos EUA, provocar grandes mudanças no mundo em que vivemos. ■
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Miguel Mattos Chaves
Director do semanário "O Diabo"
Doutorado em Estudos Europeus
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