29 dezembro 2006

REFERENDO sobre o ABORTO 2

Resposta ao COLEGA da Universidade Lusíada sobre a REACÇÃO da RTP Jornalista e Resposta
Exmº Senhor/a

Apesar de não se identificar tenho o gosto de o/a cumprimentar pela sua posição, embora eu não concorde com ela.
Clarificando...!
Os pontos que refere na sua mensagem merecem-me os seguintes comentários:
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1- Sua ASSERÇÃO: Repugna-lhe que o Estado julgue qualquer mulher por fazer aborto
Minha RESPOSTA: A minha pergunta é: Repugna-lhe que qualquer pessoa mate um ser vivo e seja julgado por isso?
É que uma mulher que faz um aborto está a matar um ser vivo,
ainda não autónomo,
isto independentemente das distinções que os juristas façam entre os que já nasceram
e os que ainda estão na barriga da que devia ser a sua maior defensora - a mãe.
Por isso gostaria de pereceber o porquê da sua distinção.
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2- Sua ASSERÇÃO: os patriotas e defensores da Pátria da linha do Estoril até nem se importavam muito com a defesa da Pátria porque na Guerra Colonial milagrosamente ficavam todos dispensados
Minha RESPOSTA: Conheço bastantes habitantes do Estoril e houve nesse meio tantas "cunhas" para não ir à tropa como nos meios Socialistas, Comunistas, Sociais-Democratas, Democratas-Cristãos e Independentes. Nenhum grupo social fica de fora.
No que me toca esclareço que fui voluntário para o Serviço Militar a prestar na Província de Angola, o que fiz com honra e orgulho.
E os defensores do aborto?!
Exs: ex- Grupo de Argel ou os membros do ex-Grupo de Paris ?????
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3- Sua Asserção: Só agora me pronunciar (só posso falar por mim) sobre a questão do aborto
Minha RESPOSTA: Claro, meu/minha caro/a concidadão/ã.
Só agora a questão está novamente a ser levantada.
Não por mim ou pelos que pensam como eu.
(Para mim a VIDA é o VALOR SUPREMO, com tal não passo a vida a discutir o ÓBVIO).
Mas sim por aqueles que pensam que têm o direito de matar seres indefesos e ficar impunes por esse acto.
Logo só agora reajo.
Em tempo oportuno reagi (aquando o 1º referendo) também e disse (como sempre o faço) o que penso
e qual a minha posição clara sobre este tema.
Ou esperava que agora eu ficasse calado, bem como todos os que acreditam em tudo o que eu acredito?!
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4- Sua ASSERÇÃO: O Cardeal Cerejeira era amigo do sistema, não era?
Minha RESPOSTA: O/a meu/minha amigo/a conhece um pouco a história recente do nosso País, mas lamento dizer que não o suficiente.
Não o/a culpo a si.
Sua Eminência o Cardeal Cerejeira era amigo pessoal do Prof. Doutor Oliveira Salazar, então Presidente do Conselho de Ministros.
Tal nunca implicou que a Igreja se metesse nos negócios de Estado, nem o Estado nos negócios da Igreja.
Ambas as entidades se respeitavam.
E ambas assumiam que a maioria dos portugueses eram (e são) Católicos e com tal o Estado respeitava esse facto dando a diginidade merecida.
Este facto está profusamente bem documentado (i.e. Arquivo Histórico e Diplomático do MNE, Torre do Tombo, Biblioteca Nacional - relações Estado / Igreja em Portugal), pelo que não produzo mais nenhum comentário a este respeito.
Apenas uma reflexão:
Um Povo que não respeita o seu passado, não tem presente,
dificilmente terá futuro, dado que perdeu a noção de si mesmo, do seu todo,
e do enquadramento histórico que lhe é próprio,
que lhe permita ver com clareza o caminho a percorrer no futuro.
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5- Sua ASSERÇÃO: Igreja vs Aborto
Minha RESPOSTA: Este problema não é uma questão da Igreja Católica, nem um problema Político.
É uma questão da ÉTICA da VIDA;
É uma questão da MORAL da VIDA HUMANA,
impressa na DECLARAÇÃO UNIVERSAL dos DIREITOS do HOMEM
e nas consequências derivadas da interpretação do seu texto;
Óbviamente que quem acredita em DEUS não pode, sobre nenhum pretexto, admitir que se mate alguém:
Ver mandamento: NÃO MATARÁS
E nesse, e apenas nesse, âmbito a Igreja como divulgadora da Palavra de Jesus Cristo tem a obrigação de se manifestar
em DEFESA da VIDA, o mesmo é dizer, em defesado mandamento enunciado.
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6- Sua ASSERÇÃO: Porque que é que esses arautos (que somos nós) não se pronunciam activamente para por em Tribunal o Estado que nãoprovê os alimentos, a educação, o vestuário (e tudo o mais) para as crianças terem uma vuida digna, quando os pais não podem
Minha RESPOSTA: Meu/Minha Caro/a Concidão/ã

Eu também gostava que o meu País gerasse dinheiro suficiente para prover a todos os que têm dificuldades.
Dificuldades sempre as houve e as famílias eram mais numerosas do que hoje em dia, até porque os filhos eram o sustento dos pais quando já não podiam prover ao seu sustento de forma independente.
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O que se passa hoje em dia ??:
Os filhos põem os pais num lar!!!!
Os casais cada vez têm menos filhos .... porque como dizia há tempos um miúdo de 15 anos,
e CITO: "os pais encaram os miúdos como o último dos electrodomésticos que entram lá em casa..."
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O grito de revolta deste miúdo (adolescente) foi impressionante e devia fazer pensar os adultos em várias coisas:
A) Seremos sempre jovens?
B) Seremos sempre capazes?
C) Temos o direito de negar a oportunidade de viver a quem ainda não a teve?
D) Levamos os bens que compramos connosco para a eternidade? Duram estes eternamente?
E) Herdámos uma Europa cheia de cidadãos cá nascidos. Como vamos deixá-la aos nossos filhos e netos?
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Devia haver uma POLÍTICA de FAMÍLIA MAIS ACTIVA e INCENTIVADORA.
Estamos de acordo.
Mas o que temos assistido, é o contrário.
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No entanto nem tudo é mau.
Existem mecanismos hoje em dia na EUROPA (e só nesta região do planeta), - (desde o pós-guerra e da criação do Estado Providência pelos Conservadores Ingleses), - que providenciam (nuns países mais do que noutros) que as pessoas quando estão doentes são tratadas, quando desempregadas não morrem de fome e quando já não podem trabalhar têm a sua subsistência assegurada.
Isto tem permitido à Europa viver um periodo de paz anormal (estes últimos 60 anos são um período anormal na história da Europa), dado o efeito de "almofada social" que este sistema proporciona, fugindo assim à histórica trilogia assassina: Peste, Fome, Guerra.
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Por outro lado as instituições de solidariedade social, e sobretudo aquelas que são de inspiração e organização da Igreja, ou sob sua supervisão, têm desempenhado um papel nessa matéria muito importante.
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É pouco, dir-me-à e com razão. Pois é!
Vamos TODOS e CADA UM de NÓS trabalhar mais para que isto mude.
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Não é a MATAR a VIDA que isto se resolve!
Antes pelo CONTRÁRIO!!!
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PENSE NISTO CARO/A CONCIDADÃO/Ã de PORTUGAL
Melhores cumprimentos
Miguel Mattos Chaves
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