13 julho 2017

A DIREITA e o LIBERALISMO - A confusão

Existe uma confusão instalada, sobre estes posicionamentos político-económicos que urge desmistificar e clarificar.
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Em primeiro lugar, e para não haver dúvidas, sou da Direita Conservadora e como tal não sou Liberal nem estou de acordo com a filosofia liberal que tem o seu expoente máximo, em termos económicos, nas denominadas “Escola de Chicago”, e Austríaca, como sabem.
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Posto isto, e em consonância com este meu posicionamento, defendo um Estado forte na Regulação e Supervisão dos interesses em presença e interventor, enquanto agente económico, em sectores económicos vitais para a Segurança de um País, tais como a captação e fornecimento de água, electricidade, gás, transportes e comunicações, para além de manter o exclusivo das funções inerentes a um Estado Soberano, tais como a segurança, a defesa, a justiça e produção legislativa e a definição da política externa.
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Poderei, em próxima ocasião, explicar mais profundamente o porquê, caso a caso.
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Alguns defensores do liberalismo económico, sem limites, vão à evolução tecnológica buscar a justificação das suas posições. ...
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Nem falo aqui dos liberais, em termos de costumes, campo em que a paranóia e o desnorte absoluto se instalaram.
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Ora essa cada vez mais rápida evolução tecnológica, é um facto e era mais do que previsível de há, pelo menos, 50 anos para cá.
Esta gera o desaparecimento de postos de trabalho, mas também gera o aparecimento de outros. Gera mudança. De resto sempre assim foi na História da Humanidade. Nada de novo portanto.
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Mas isso não quer dizer que o Estado tenha que se retirar da Supervisão, Regulação e Arbitragem/Resolução de eventuais conflitos dos interesses em presença.
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Antes pelo contrário gera uma maior necessidade de harmonizar os interesses em presença na sociedade, nomeadamente:
a) Os do Estado e da Nação Soberana,
b) Os das Empresas e Instituições,
c) Os dos Indivíduos.
E a consequente arbitragem entre estes níveis e no interior de cada um deles.
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De resto a presente crise, que é financeira, surgiu do precisamente do endividamento excessivo e da retirada dos Estados das suas funções de Supervisão e Regulação do Sistema Bancário, com os resultados que vemos e que agora estamos todos a pagar.
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Tudo isto, em nome de um liberalismo excessivamente teórico que se tem revelado desajustado e imprudente.
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Aliás, neste sentido e natureza, o Estado Liberal é o reverso da moeda do Estado Comunista.
Ambos na mesma moeda, mas de sinal contrário. Porquê?
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Porque o Estado Liberal, na sua faceta económico-financeira, o que na prática defende é a “lei do mais forte”.
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Ao defender a existência das empresas e instituições em regime de auto-regulação, das actividades entre si e destas com os cidadãos individuais, aos vários níveis, parte do princípio que todo o ser humano é puramente racional e só toma decisões racionais em defesa dos seus interesses;
Parte do princípio errado de que esses interesses acabam por se equilibrar no resultado das suas actuações, sem necessidade de um “árbitro” – O Estado.
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É a tentativa de aplicação de parte da Teoria de Adam Smith, denominada de “Mão Invisível”.
Digo parte pois mesmo este autor afirmou a necessidade de o “mercado” (ponto de encontro entre a oferta e a procura”) ser severamente regulado, para evitar abusos e desvios que o destruíssem.
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Ora a prática e os resultados agora visíveis, desmentem em absoluto as premissas, do liberalismo sem controlo, como está à vista de todos.
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Tal facto levou até que um dos maiores expoentes da já referida Escola Liberal de Chicago, Alan Greenspan, Presidente da Reserva Federal dos Estados Unidos, (FED) tivesse pedido desculpa por ter acreditado nisso e por ter permitido a auto-regulação do mercado financeiro e de capitais.
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Por seu lado, o Estado Comunista, defende o extremo oposto.
Isto é, o Estado é tudo;
A essa entidade “toda-poderosa” se devem reconduzir todas as actividades do ser humano, enquanto agente da procura ou da oferta.
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O Estado era o “pai”, o regulador, o supervisor, o único actor e produtor na oferta, o único agente de produção, de tudo, na economia.
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Aos particulares, ao indivíduo, restava acolher “os benefícios” de um Estado que em tudo intervinha e ao qual estava reservado o papel de produzir, restando para o individuo o papel de empregado, desse mesmo Estado.
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E foi, também, o que se viu.
Setenta anos de desvario em que os cidadãos eram, à força, impedidos de aceder à livre iniciativa privada e impedidos de progredir na vida, segundo a sua vontade e liberdade.
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Ou seja Ambos os sistemas são extremistas, na concepção, e desajustados face à Antropologia do Ser Humano, ou seja à sua Natureza, e á sua necessidade de Viver em Sociedade e de nela progredir, de forma harmoniosa.
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Numa palavra, a verdade é que ambos se revelaram desajustados do Ser Humano Real.
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E agora surgem no mundo ocidental Novos actores políticos, Novos movimentos organizados por partes importantes das populações, que estão fartas de comunismo e liberalismo, e que têm ideias diferentes,
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Ora os defensores do Liberalismo e os defensores do Comunismo, com medo de perder o poder, e as regalias do mesmo, atribuem-lhes epítetos tais como “populistas”, “extremistas”, “radicais”, e “perigosos”. Percebo bem o porquê”!
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Ora na verdade quem é extremista e radical são os Liberais e os Comunistas por tentarem impôr modelos que violam a consciência e a forma de estar da maioria das populações.
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Radicais ainda por tentarem, (e estão a conseguir) destruir os Valores Perenes da Humanidade, a saber:
- - - o respeito, a educação-civilidade, a honradez, o cumprimento da palavra dada, o cumprimento dos contratos, o respeito pela família, a honestidade-seriedade, o trabalho diligente, a punição dos desonestos e criminosos, o prémio a quem tem mérito, etc.
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E tentam destruir, (e têm conseguido) estes valores em nome de uma pretensa "democracia", de uma pretensa "modernidade", de uma falsa "evolução".
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E têm, pelo contrário, incutido o laxismo, a relatividade de tudo (tudo é relativo no dizer deles), o desrespeito por tudo e por todos, a destruição da família, o insulto e desrespeito pelas convicções religiosas dos cristãos, a dissolução dos costumes, e tudo isto em nome de uma pretensa "liberdade" que não é mais, na realidade, do que a mais pura libertinagem, o saque a bens públicos, a imposição de costumes contrários à esmagadora maioria das pessoas, etc...
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Ao que está esta situação a conduzir? Muito simples.
Esta situação, se os Cidadãos de Bem não recuperarem a Voz, está a ser a causa da Decadência do Ocidente, que aliás já é bem visivel, embora a níveis que ainda se poderão controlar.
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Ora a Direita moderna, na linha dos Conservadores ingleses e dos Republicanos franceses, rejeita liminarmente qualquer destes modelos, exactamente por isso mesmo: - por serem contrários à Natureza do Ser Humano Real e por estarem a causar a destruição da Civilização Ocidental.
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Até agora têm tido sucesso, liberais e comunistas e seus aliados (é só olhar à nossa volta).
Mas pergunto: - - - Até quando?
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À vossa reflexão.
Melhores cumprimentos
Miguel Mattos Chaves
 
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