09 setembro 2014

(1ª Parte) Contribuição para um PLANO ESTRATÉGICO para PORTUGAL

Partilho a partir de hoje (dividido em várias partes) um trabalho que elaborei no âmbito universitário, sobre esta questão VITAL para Portugal, na esperança de que se intere...ssem sobre o FUTURO POTENCIAL para Portugal e para os Portugueses.
-Se acharem útil para VÓS este trabalho e a informação nele contida, dar-me-ei por muito satisfeito.
-
A VÓS a PALAVRA.
....
(A) AS RELAÇÕES TRANSATLÂNTICAS
a Europa versus os Estados Unidos da América
-
Passado e Prospectiva
-INTRODUÇÃO
O objecto deste trabalho é a descrição, de forma resumida, da relação entre os dois lados do Atlântico Norte, tendo como pano de fundo as questões fundamentais da Economia, da Segurança e da Defesa.
-
Os objectivos são:
1 – Descrever, até à data, de forma breve os acontecimentos mais relevantes na Europa e as relações entre os dois lados do Atlântico, desde a 2ª Guerra Mundial;
-
2 - Em segundo lugar, proporcionar uma pequena panorâmica sobre a forma como Portugal se colocou no xadrez das referidas relações;
-3 - Por último, dar uma contribuição sobre a análise actualidade recente e uma prospectiva sobre os eventuais cenários que as Relações Transatlânticas poderão conhecer.
-
Metodologicamente seguiu-se o esquema de:
1 - em primeiro lugar, fazer um enquadramento do tema, descrevendo algumas das principais questões internas europeias e da relação de parte desta (os países do denominado bloco ocidental) com os EUA, desde a 2ª Guerra Mundial;
2 - em segundo lugar, abordar um pouco a relação - União Europeia - EUA - e as contradições existentes no seio da organização europeia;
3 - guardando para o final do texto uma tentativa de, prospectivamente, tentar perceber qual será o futuro dessas relações inter-atlântico norte e de que forma Portugal se poderá colocar por forma a obter vantagens.
-
Como consultas bibliográficas foram utilizados vários autores europeus e portugueses, nos quais se incluem as obras do autor deste trabalho.
-*
1. AS RELAÇÕES TRANSATLÂNTICAS
do pós-guerra a 1991 - O Pilar Europeu da O.T.A.N. – N.A.T.O.
-Factos e factores:
A Aliança Atlântica foi criada em 1949 em Washington por 12 países do então denominado bloco ocidental, entre os quais Portugal.
Desde o seu início se percebeu que a Liderança efectiva da Aliança pertenceria aos EUA. O Objecto desta era a Defesa do Ocidente, face à ameaça da União das Repúblicas Socialistas Soviéticas, liderada pela Rússia.
-Estava formalizado um quadro em que os Adversários eram conhecidos e em que se prefigurava uma luta política, ideológica, económica e eventualmente militar entre o Leste e o Oeste, do hemisfério Norte do globo.
A Base deste conflito de posições era claramente ideológica. Defrontavam-se duas formas de ver o Mundo e a sua organização:
- uma, a Comunista,
- outra, a Capitalista.
-
Era também um Conflito latente de base Militar Latente no hemisfério Norte, entre Blocos antagónicos de Poder, que usaram como instrumento estratégico principal a Dissuasão Nuclear.
-
Já no hemisfério Sul do Globo as coisas foram diferentes pois as duas Super Potências (EUA e URSS) queriam dominar os Continentes Americano (Sul), Asiático e Africano, para cercar o adversário.
-
E aí, sobretudo em África, os conflitos sucederam-se.
Foi um conflito militar Leste/Oeste travado por actores secundários, (de que Portugal sofreu algumas consequências) mas subservientes ou aliados de cada um dos verdadeiros beligerantes.
-
Os americanos tentavam colocar no terreno as consequências da sua Doutrina inscrita na Teoria da Contenção, que procurava deter, e confinar, o Poder Soviético nas suas fronteiras do Leste Europeu.
-
Os soviéticos procuravam cercar o bloco ocidental, tentando conquistar-lhe as posições até aí detidas no continente africano e asiático.
-Ambos os blocos procuravam alcançar a supremacia do poder internacional.
*
1.1. RELAÇÕES de PODER no período da “GUERRA FRIA” (1945/1991)
Portanto, e em resumo, tínhamos o seguinte quadro geral de leitura do Sistema Internacional:
Duas Superpotências:
- Estados Unidos da América
- e União das Repúblicas Socialistas Soviéticas;
--
Polarização em duas Alianças Militares:
- Organização do Tratado do Atlântico Norte
- e Pacto de Varsóvia;
--
Polarização em dois blocos económicos/comerciais:
- OECE/OCDE do lado Ocidental
- e Comecon, do lado de Leste;
--
Sistema Internacional:
- Bipolar - dois centros de decisão hegemónicos sobre o Sistema Internacional;

Equilíbrio do Terror entre os dois blocos: assente na Base das armas Nucleares;
Actores Principais: duas potências dominantes (EUA e RÚSSIA), líderes de dois blocos ideológicos distintos:
a) o bloco Ocidental que adoptou o modelo Capitalista
b) e o bloco Oriental que adoptou o modelo Comunista
*
1.2 - A situação Militar, Política e Económica da Europa no termo da 2ª Guerra Mundial
(Antecedentes do projecto de construção de uma unidade Europeia de Segurança e Defesa e dos instrumentos mais relevantes das Relações Transatlânticas)
-
O continente europeu foi palco, durante “dez séculos, de guerras pela supremacia na Europa”.
-
A época em que temos o privilégio de viver é completamente anormal face à que tem sido a vida na Europa ao longo dos séculos precedentes.
Daí que alguns autores deem o nome de “2ª Belle Époque” ao período que decorreu desde o fim da 2ª guerra mundial até ao choque petrolífero de 1973.
-
Neste período áureo da história europeia (1945/1973) o crescimento médio do PIB nas economias mais avançadas, andou à volta dos 4,9%.
Este período foi caracterizado por um crescimento das economias europeias e por uma melhoria dos padrões de vida das populações, em geral.
-
Foi denominado assim por contraponto à “Mauvaise Époque”, (1914 a 1947), em que o crescimento médio do PIB foi de apenas 1,8%.
-
Raramente a Europa viveu um período de paz tão longo.
Este facto possibilitou, a par de outros factores, o avanço das ciências médicas, da investigação no sector agro-alimentar, da melhoria das condições de higiene pública e uma melhoria nas condições de vida, em geral.
-
1.3 - Consequências Económicas, Psicológicas e Demográficas
No final da 2ª grande guerra a Europa estava destruída psicológica e economicamente. Terminada na Europa, em 7 e 8 de Maio de 1945 pela rendição da Alemanha, a guerra duraria mais algum tempo na frente do Pacífico.
-Nesta frente a guerra só terminou quando os EUA lançaram sobre Hiroxima e Nagasaky( ) duas bombas atómicas que arrasaram as duas cidades, respectivamente em 6 de Agosto e em 8 de Agosto de 1945.
O resultado foi devastador o que obrigou o Imperador a anunciar a rendição do Japão a 10 de Agosto.
A assinatura da rendição fez-se a bordo do couraçado Missouri, ao largo da baía de Tóquio na presença do General MacArthur.
-
Esta guerra que começou por ser europeia, e que passou a guerra mundial com a entrada dos EUA no conflito após o ataque japonês a Pearl Harbour, provocou, só na Europa, entre 40 a 50 milhões de mortos, e 1.700 cidades ou vilas destruídas.
-
A produção agrícola sofreu uma redução para cerca de metade do que se produzia no período de antes da guerra.
-
Do outro lado do Atlântico viria a ajuda no valor de 13 mil milhões de dólares, para os países da OECE, para o período que mediou entre 1948 e 1952. Esta ajuda foi fundamental para a recuperação europeia.
-
Esta ajuda revelou-se fundamental para a recuperação da economia europeia.
A produção industrial dos países da OECE, calculada em relação ao valor de 1938 (base 100) foi de 87% em 1947, de 98% em 1948, de 110% em 1949, de 122% em 1950 e de 134% em 1951.
-
Em termos das taxas anuais médias de crescimento do PNB a Alemanha entre 1950 e 1970 cresceu 5,5%, a França 4,8%, e a Itália 5,4%, sendo comum a estes países o facto de ser no quinquénio 1965/1970 que tiveram maiores taxas médias de crescimento anual, respectivamente 6,3%, 5,4% e 6,3%.
-
No que se refere ao PIB per capita, a preços de 1990, comparando os anos de 1950 e 1973 a RFA passou de 4.281 para 13.152 USD, a França de 5.221 para 12.940 USD, a Itália de 3.425 para 10.409 USD e o Reino Unido de 6.847 para 11.992 USD. Ou seja a RFA e a Itália triplicaram o seu produto por habitante, e a França mais que duplicou os seus resultados.
-
Ao mesmo tempo, na EUROPA OCIDENTAL, a média passou de 3.568 USD em 1950 para 8.814 USD em 1973, mais que duplicou.
-
Comparando com o resto do Mundo a Europa teve um desempenho acima da média, pois enquanto o PIB per capita Mundial subia de 2.138 para 4.123 a Europa andava por valores próximos do dobro.
-
PORTUGAL passou de um PIB per capita de 2.218 em 1949 para 7.568 USD, em 1973, ou seja mais 241%, ou seja quase triplicou neste período o seu produto interno bruto por habitante.
-
(CONTINUA)
-
Melhores cumprimentos
Miguel Mattos Chaves
Enviar um comentário