10 janeiro 2017

Para que a MEMÓRIA não se perca...

PARA MEMÓRIA FUTURA
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o Grande ERRO Geoestratégico de PORTUGAL no Séc. XX
- A História do 25 de Abril e a DESCOLONIZAÇÃO -

Vejamos Portugal foi Vitima do Conflito Leste /Oeste e Vitima da COBIÇA sobre os Recursos Naturais existentes nas Ex-Províncias Ultramarinas (Ouro, Diamantes, Café, Algodão, Sisal, etc..)

Vamos então aos FACTOS:

(1) Em Angola, já não havia guerrilha digna desse nome desde 1968. O MPLA (apoiado por Moscovo) já só tinha quadros no exterior, a FNLA (financiada por Chineses e Americanos) estava reduzida a dois bi-grupos de Catangueses e a UNITA colaborava já com Portugal.
A guerra estava Ganha;

(2) Moçambique, com a Operação "Nó Górdio", a FRELIMO de obediência Soviética, estava já práticamente confinada a pequenas faixas do Norte, refugiada na Tanzânia e em riscos de extinção completa (ver declarações do próprio Samora Machel de 1976).
A guerra estava Ganha;

(3) Guiné - o caso mais complicado dada exiguidade do território e a cobertura do Senegal e da Guiné Conakri ao movimento terrorista alinhado com a URSS (PAIGC), que após a Independência Chacinou as tropas Locais (Comandos Africanos) que apoiavam Portugal e que Portugal abandonou cobardemente;

(4) São Tomé e Principe e Cabo Verde - nunca tiveram nenhum conflito armado nem solicitaram a Independência: foi-lhes dada por pelos dirigentes políticos da altura, sem nenhuma consulta aos respectivos Povos;

(5) Timor - apesar dos múltiplos apelos da Indonésia para que Portugal não abandonasse o território pois "não podemos tolerar um Regime Comunista nas nossas fronteiras..." os referidos dirigentes políticos entregaram o Poder ao Partido Comunista Local (FRETILIN) abandonando todas as outras forças políticas e o Povo Timorense que queria permanecer Português; Seguiu-se a chacina que durou anos, ao Povo Timorense. por parte da Indonésia.

(6) Macau - a cereja em cima do bolo: contra a vontade do Governo da China, o General Ramalho Eanes decidiu iniciar "consultas" para fazer Macau integrar a China, o que consegui em 1998, para grande surpresa do Governo Chinês que nada tinha pedido sobre a matéria.

Com a descolonização Portugal (os seus líderes políticos da altura) provocou centenas de milhares de mortos, no período entre 25 de Abril de 1974 e Novembro de 1975. A história os julgará.

Uma coisa é certa: Chamar Revolução dos Cravos ao que aconteceu em Abril de 74, só por profunda má consciência e por tentativa de esconder o que aconteceu na verdade.
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Por último: Que motivação esteve por detrás do Movimento Revoltoso do 25 de Abril de 1974?

Sejamos claros:
- o Regime da Democracia deve-se aos Militares e a mais ninguém, a nenhum partido, nem personalidade.
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É realmente uma história mal contada. Vejamos o que queriam então os Capitães que conceberam e que lideraram o golpe de Estado de 1974.

Em 1º lugar: queriam que os Oficiais Milicianos do Quadro de Complemento (oficiais milicianos), se quisessem entrar para o Quadro Permanente das Forças Armadas, após a sua Comissão de Serviço no Ultramar, frequentassem a Academia Militar durante os mesmos anos que eles a tinham frequentado;
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O General Sá Viana Rebelo ao produzir um despacho que admitia que os Oficias milicianos poderiam entrar para o Quadro Permanente sem frequentar a Academia, deu origem ao mais importante factor descontentamento dos Oficiais do Quadro Permanente;

Em 2º lugar, havia uma reivindicação, por parte sobretudo dos Oficiais Subalternos (Alferes a Capitão), para que a sua remuneração fosse melhorada quando em Zona Operacional, no Ultramar;

Em 3º lugar, havia a “exigência” de que o armamento fosse melhorado e renovado, para o geral das Forças Armadas.

Não tendo o Poder Político da altura respondido positivamente a estas reivindicações, deu-se a primeira manifestação fardada no Terreiro do Paço, em 1972.
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Não tendo o poder político reagido como devia, ouvindo e acolhendo, pelo menos em parte, estas reivindicações, os Oficias passaram a reunir-se, com o objectivo de despoletar, o que viria a ser a revolução do 25 de Abril.

Note-se que estas reivindicações foram, sobretudo, feitas pelos Oficiais então na Metrópole. Por inoperância dos governantes, estendeu-se depois ao Ultramar, com os resultados que conhecemos.

CONCLUSÃO:
Portugal teve que se defender sempre dos interesses da URSS, EUA e CHINA; A cobiça destas potências em relação às riquezas do Ultramar Português foi sempre conhecida, para além dos interesses político-estratégicos resultantes do conflito Leste-Oeste (Comunismo-Capitalismo) que vigorou até 1991.

Mas Portugal teve sempre o apoio, esmagadoramente maioritário, das populações Negra, Branca e Mestiça, dos Territórios Ultramarinos;

Portugal, e todos esses cidadãos do Ultramar, foram assim traídos na “rectaguarda” por Políticos e Militares sem Visão de Estado, sem Patriotismo, sem percepção da Geoestratégia e da Geopolítica.

OBS: Em 1974 e já numa viragem da Política Externa dos EUA, o então Secretário de Estado Henry Kissinger afirmou numa Sessão do Congresso Norte-Americano:
- "Portugal é essencial à estabilidade do Continente Africano, em geral, e em particular à estabilidade da África Austral... ". Citei.

Portugal, (os seus dirigentes da altura) tornou-se assim responsável pelo Genocídio que teve lugar entre 25 de Abril de 1974 e 11 de Novembro de 1975; Na verdade, só em Angola morreram mais de 100.000 pessoas nesse período, com o prolongamento em Timor até aos anos de 1990.

Os políticos, da altura, e os militares do MFA, destruíram assim a vida de milhares de famílias Brancas, Negras e Mestiças … Portuguesas.

Para que a Memória não se perca.

A História fará, o que os portugueses, de agora, não têm a coragem de fazer:
- Julgará severamente estes acontecimentos, e as suas consequências.

Tudo isto foi feito SEM CONSULTA aos povos interessados pois sabiam, os políticos, da altura e os Militares, que a Vontade esmagadora dos Povos do Continente e dos Territórios Ultramarinos, era a da Continuação do Portugal Pluricontinental.
Por isso não fizeram a Consulta, que aliás o Movimento dos Capitães, a que sucedeu o MFA, tinha Prometido fazer.

Incómodo? Sei que é muito!
Mas a Verdade tem destas coisas.

Melhores cumprimentos.
Miguel Mattos Chaves
Cidadão Português - Militar que cumpriu o Serviço Militar em Angola
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