02 fevereiro 2015

o JOGO de PODER na Europa ... as Dívidas e a Austeridade

REFLEXÃO
o JOGO do PODER na Europa ... as Dívidas e a Austeridade
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Tenho assistido, pouco nas televisões portuguesas muito na TV5 de França, na CNN, na BBC... e outras, a debates sobre a nova situação política despoletada pelas eleições gregas.
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Uma nota de explicação: não tenho ligado muito às TV's portuguesas dado serem sempre os mesmos avençados a falar e a debitar, não a realidade, mas aquilo que querem eles próprios, o que sendo legitimo, é pobre.
Mas detêm o monopólio de falar e eu sinto-me no direito de deixar de os ouvir face à pouca credibilidade que me oferecem (salvo raras e honrosas excepções como é o caso do Prof. Doutor Adriano Moreira).
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Da análises do que se tem passado desde as eleições gregas, sou levado a traçar um quadro que, creio, retratar a realidade.
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Vejamos então, em breves linhas para não maçar os meus amigos e leitores, o que se passa na realidade. E, para mim, o que se passa é: NEGOCIAÇÃO.
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Passo a explicar porque digo isto:
a) quando se quer negociar algo, ambos (credores e devedores) partem, para as mesmas, com uma estratégia negocial anteriormente estudada Isto é, traçam objectivos, e estudam argumentos a dirimir e planeiam acções a tomar para os atingir.
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b) ambas as partes sabem, ou deviam saber, que as posições negociais têm que ser Fortes. Isto é as posições de partida a tomar tem que exigir o máximo para atingir os objectivos, mesmo sabendo que os acordos finais se situarão algures a meio das posições e exigências de ambas as partes.
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do lado da GRÉCIA
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Posto isto, a Grécia propôs-se, na minha opinião, atingir os seguintes objectivos qualitativos e quantitativos:
No PLANO EXTERNO:
1) Diminuir a Dívida Soberana Grega, isto é conseguir baixar a dívida dos 300 mil milhões para um patamar mais baixo; (os Juros da Grécia são bastante abaixo dos pagos por Portugal e por isso não são grande fonte de negociação);
2) Obrigar a União Europeia a mudar a sua política de pura e dura austeridade para uma política de desenvolvimento com investimentos destinados a esse fim.
3) acabar com o diálogo entre um Estado Soberano e funcionários de 3ª classe da UE, FMI e BCE, levando estas organizações a dialogarem com a Grécia ao mais alto nível político de decisão.
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No PLANO INTERNO
1) Aliviar a austeridade que pesa sobre o Povo Grego e devolver-lhe algum Poder de Compra e criar condições para a criar Emprego aos mais necessitados e afectados.
2) Por na ordem a "cleptocracia interna" acantonada no PASOK (PS Grego) que dominou e roubou o País durante anos, levando-o a esta situação, com a cumplicidade do Poder do Sistema Financeiro Grego e Internacional e que levou a situações graves de corrupção do Poder em favor dessa "cleptocracia" e em prejuízo da Nação Grega.
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Na minha opinião, estes objectivos são totalmente legítimos e diria mais: São uma Obrigação do qualquer Governo de qualquer Nação.
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Do lado da UNIÃO EUROPEIA
- apanhada QUASE de surpresa, tem mostrado igualmente os seus objectivos, dentro dos princípios de inicio de uma negociação a que não está habituada:
1) Manter a todo o custo as exigências de pagamento de toda a dívida ao BCE, UE e FMI;
2) Evitar a queda e o fim do euro e da própria UE;
3) Manter, dada a sua visão actual, as exigências de austeridade sobre a Grécia, Portugal, Itália, Espanha e Irlanda e evitar a "contaminação" que leve a mudanças radicais da sua actual política imposta pelos países do Norte Europeu liderados pela Alemanha.
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Sou levado a dizer que estes objectivos são legítimos, também, embora, na minha opinião, politicamente falando estejam errados, isto se se quer construir um Bloco de Países forte e coeso de União entre Nações Soberanas..
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E assim a GRÉCIA começa por:
- ameaçar através de sinais, que pode romper as negociações; (medidas internas)
- ameaçar através de sinais, que pode celebrar em caso de falhanço, uma aliança com a Rússia (recepção em 1º lugar ao Embaixador Russo) ou mesmo com os EUA (conversas telefónicas entre o 1º Ministro e o Presidente Obama) se a UE não quiser renegociar;
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para passar, dias depois, a dar sinais de que pretende re/negociar..
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Isto é:
primeiro adoptou uma Posição de força total, com os objectivos anunciados:
para passar a adoptar uma posição de maior abertura a re/negociar.
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Da União Europeia:
- atitude de prudência mas firmeza.
Isto é, não "agride" o novo Governo e mostra disponibilidade para conversar;
e traça a sua posição na manutenção das exigências.
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Uma pequena nota para lamentar a posição do 1º Ministro Português, a todos os títulos lamentável e comprovativa de que não tem o menor Sentido de Estado nem envergadura pessoal nem política para ocupar tão importante posto de poder. Foi uma voz dissonante em TODA a Europa, que me envergonha enquanto Português.. Simplesmente lamentável.
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E, traçado este quadro, a minha opinião é que temos pela frente meses interessantes de Negociação Política (e não apenas técnica como até aqui foi tratado o tema da austeridade dos países do Sul e Sudoeste da Europa) o que é, para mim positivo e poderá corrigir erros de trajectória da União Europeia.
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DOIS CENÁRIOS (resultados) se poderão verificar, na minha opinião:
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1º CENÁRIO:
SE ... ambos se mantiverem irredutíveis, o quadro será o fim do euro e, possivelmente da própria UE (uma coisa não tem necessáriamente que arrastar a outra), com a consequente reformulação do quadro de alianças entre países no Continente Europeu que poderá dar origem a dois ou mais blocos:
Uma possibilidade que levanto é a da formação de um eixo Atenas-Moscovo, com a agregação de alguns países periféricos dessa zona; um eixo Paris-Bona -Helsínquia-Estocolmo; e o reforço do eixo Londres- Washington com algumas adesões.
Ganhos eleitorais e vitórias de Partidos extremistas em França, Inglaterra, Holanda, Espanha e outros.
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2º CENÁRIO:
SE .. houver acordo, (e um acordo implica cedências de ambas as partes para encontrarem um denominador comum que deixe ambas as partes in/satisfeitas por igual ou aproximado), toda a UE (inclusive a Grécia) ganhará se isso significar que à política de austeridade der lugar a uma política de desenvolvimento.
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COMENTÁRIOS FINAIS:
Posso prever, com algum grau de forte probabilidade de acontecer, em caso de sucesso das re/negociações:
- UM GANHO para TODA a Europa do Sul:
Isto é, nada ficará como dantes e estas Negociações "forçarão" a concessões por parte da "linha dura" da UE, e dos seus "criados" como é o caso do lamentável Sr. 1º Ministro Português.
pena que tenha sido a extrema-esquerda da Grécia a despoletar este processo e não a Direita dos diversos países europeus.
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Espero assim que os dirigentes europeus (Gregos incluídos) que contam (infelizmente os nossos com esta posição tomada pelo 1º Ministro, não contam para nada) sejam responsáveis e sigam outro caminho que proporcione bem-estar aos diversos Povos Europeus e abandonem o caminho, errado, até aqui seguido.
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Partilho, esta minha reflexão, para vossa reflexão.
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Melhores cumprimentos
Miguel Mattos Chaves
Militante do CDS-PP
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