27 março 2017

ANÁLISE: CONTAS PÚBLICAS - DÉFICE - ESTRATÉGIA

Estimados Amigos,
Como, cada vez mais, o meu Partido é Portugal.
Por tal facto, gostava de dar duas brevíssimas notas sobre os discursos que têm vindo a público:

(1).- O Défice de 2016 foi conseguido devido a receitas extraordinárias e irrepetíveis! Verdade! Mas foi só este Governo a recorrer a tal expediente? …
Vejamos:

Se estamos a analisar o défice das contas públicas, e estamos, então temos também que ser mais rigorosos.
No Governo de que o meu Partido, o CDS-PP, fez parte houve também inúmeros recursos a “Receitas Extraordinárias” e “não repetíveis”, a saber:
- Venda da EDP;
- Venda da REN;
Estas não as privatizando, mas sim vendendo-as a outro Estado Soberano - a China!

- Concessão da ANA;
Estas três primeiras, de teor estratégico, e que contribuíam com lucros apreciáveis para o Estado.

- Venda de parte do capital da TAP;
- Contrato de venda de 28 aviões de combate F16 assinado pelo Ministro da Defesa, Dr. Aguiar Branco;
- etc…etc…etc…

(2) O Défice de 2016 foi conseguido por se ter travado, diminuído, o Investimento Público! Verdade!

Sendo eu de Direita, Conservador, fico atónito por esta asserção ter vindo do meu Partido (o CDS-PP) que devia defender a Democracia-Cristã e as linhas da Direita Conservadora. (Do outro partido que esteve connosco no governo não me pronuncio).

Porquê a minha surpresa?
Então, desde a fundação do CDS, até ao tempo em que eu era dirigente nacional (desde 1993 a 2010) nós defendíamos que ao Estado cabe apenas um papel supletivo no Investimento e que este devia ser feito com parcimónia, dado estarmos a lidar com dinheiro que não era nosso, mas sim de todos os contribuintes.

Defendíamos que obras públicas deviam ser feitas se fosse absolutamente necessário, com critérios objectivos, para bem de Portugal, e nos sectores de actividade onde os Investidores Privados não se mostrassem interessados, ou em sectores considerados estratégicos para o país;

Sempre defendi, e na altura defendíamos, que o Investimento Saudável é o Investimento Privado e que o público devia ser apenas, repito, supletivo;

Sempre defendi e defendemos, quando sabíamos o que andávamos a fazer, que ao Estado cabe apenas um papel de Regulador, Facilitador e Supervisor, nesta matéria e que estes papéis deviam ser reforçados.

Sempre atacámos o PS, e não poucas vezes o PSD, por estarem a levar a efeito investimentos públicos (mais gastos que investimentos) que considerámos lesivos dos interesses nacionais e das boas contas públicas;

E AGORA, que estamos na oposição, em vez de criticarmos:
- A falta de acção do actual governo para a captação de Investimentos Privados;

- A falta de medidas concretas e simples, para atrair novos investidores;

- A adopção por este governo e seus aliados, de mais medidas que vêm subverter a tradição moral e comportamental das pessoas, na nossa civilização ocidental de matriz cristã (aborto, eutanásia, casamentos ditos de “gays” (em inglês é mais chique para os saloios); adopção pelos ditos de crianças;

- A retirada de apoios à Família Tradicional, numa altura em que precisamos de mais nascimentos de crianças;

- A não reposição do poder de compra a quem trabalhou uma vida inteira, e descontou confiando no Estado, para ter uma vida digna no final de vida – os Reformados;

- A falta de actualização séria dos escalões do IRS, do abaixamento e eliminação de taxas e taxinhas que estão a afogar os Cidadãos que trabalham e as Famílias Portuguesas;
Etc…etc…etc…

ESTAMOS a
• Criticar várias medidas, que governos onde estivemos, também o fizeram;
• Criticar por haver menos investimento/gasto público!

CONCLUSÃO:
É para mim, (e deve ser defeito meu) incompreensível este tipo de atitudes, a dois títulos:

- 1 – Os Portugueses não são parvos. Podem ser iletrados. Mas têm muito o sentido do que é mentira e baixa política e do que é justo;

- 2 – O meu Partido (o CDS-PP) está mal entregue a dirigentes pouco qualificados. Salva-se o Presidente da JP porque parece não ter perdido o sentido do que devemos defender.
Os restantes, parece que dizem as coisas só para aparecer nos telejornais (cada vez menos vistos) e nos jornais (que cada vez vendem menos);
(não me serve de consolação que o outro partido que esteve no governo connosco ainda faça pior).

Com este tipo de escritos, atitudes e falta de discernimento, e mais grave ainda, com esta falta de Estratégia para o País tenho receio que estejamos a caminhar para mais 10 a 12 anos de governo de esquerda e extrema-esquerda.

Por mim, não o quero, mas estou a constatar que as alternativas não existem, o que, para mim, cidadão português da Direita Conservadora, defensor do Personalismo Cristão, é absolutamente desconsolador.

Muito mais teria para dizer, mas prometi ser mais breve do que o consegui.

Melhores cumprimentos e um abraço com amizade
Miguel Mattos Chaves
Militante do CDS-PP
Ex-dirigente nacional
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