19 março 2017

DONALD TRUMP supreende LIDERES EUROPEUS

Ainda mal refeitos pela eleição do novo Presidente dos Estados Unidos, nosso país aliado desde a sua fundação, os seus detractores deparam-se agora com o facto de ele estar a cumprir as promessas que fez durante a sua campanha eleitoral.
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Pessoalmente não sou detractor, mas também não sou um entusiasta defensor do novo Presidente, dado que sou português e não americano.
Concordo com várias das medidas que ele propôs, discordo de outras, mas só isso e não mais do que isso, para que fique claro.
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Mas aqueles que se afirmam como detratctores, depois de dizerem que ele não iria pôr em prática, o que prometeu, que não iria cumprir as promessas que fez, pois iria “acordar” para a “realidade”, (talvez a sua, deles) eis que novamente, e de facto, estão a ser desmentidos.
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E depois, em última forma de ataque, agarram-se a afirmações bombásticas que ele fez e faz, como se fosse o único a fazê-las, e ao seu modo de ser truculento e pouco consentâneo com as práticas até aqui seguidas.
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Esquecem-se, convenientemente claro, de outros discursos políticos, em que frases igualmente bombásticas foram proferidas.
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Apenas como exemplo relembro uma de Georges Bush sénior – a célebre “leiam os meus lábios, não haverá mais impostos” e mal tomou posse aumentou-os;
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ou as de Barack Obama – “vou fechar Guantánamo” e não fechou!
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ou “vou retirar as tropas do Afeganistão”, e não retirou,
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ou “vou domar os lóbis de Washington e pô-los na ordem” e nada fez, ...
e outros exemplos, muitos, tantos que seria fastidioso estar agora a enumerá-los.
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Esquecimentos bem lembrados, como diria o Prof. Adriano Moreira a propósito do “esquecimento” de Dom Afonso Henriques em pagar à Santa Sé, o que lhe tinha sido imposto.
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Ora tal facto, o de estarem surpreendidos e até furiosos por ele estar a cumprir o que prometeu aos que o elegeram, não deixa de ser curioso e até surpreendente, ou talvez não.
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E se calhar não é tão surpreendente assim porque, de facto, os dirigentes políticos nacionais e europeus, estão habituados a mentir descaradamente aos eleitorados, nas suas campanhas eleitorais, sobre aquilo que irão fazer se forem eleitos.
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Ou seja, prometem tudo e mais alguma coisa e depois de eleitos “esquecem” o que prometeram e não cumprem.
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E agora dou comigo a vê-los ficarem muito surpreendidos, e até se dizerem ofendidos, por o novo inquilino da casa Branca estar a cumprir aquilo pelo qual ele foi eleito, repito, pelos americanos.
Ou seja, não mentiu e está mesmo a cumprir o que prometeu.
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Mas, estes, os que mentem consecutivamente, são os mesmos que não se coíbem de se arvorarem em defensores da democracia, dos ditos valores democráticos, e do seu direito a ocuparam os lugares e os distribuírem pelos amigos, sem curarem de saber da competência ou do mérito dos beneficiados.
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E agora, face ao novo Presidente de um país aliado, não hesitam em classificar a sua prática governativa, seguida até agora, de ditatorial.
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Bom aqui tenho que relembrar aos que vão seguindo os meus escritos que quando um partido e os seus dirigentes são eleitos, são-no para porem em prática os seus (deles) Programas, que desejavelmente eles puseram à votação dos eleitores.
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Não são eleitos para andarem sempre a reboque de terem que mudar os seus programas ou medidas só porque a parte que não votou neles, não gosta ou não quer.
Ou seja, quando elegemos um Governo é para que seja ele a mandar e não os que não foram eleitos para o fazer.
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Caso contrário, não estamos em presença de uma democracia, mas sim de uma confusão e de uma balburdia discursiva.
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Os eleitos são eleitos para mandar e por o seu programa em execução, e não o programa dos outros, que não foram eleitos para mandar, ponto final!
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Findo o seu mandato, se os eleitores não gostarem, votam noutro partido ou noutros dirigentes.
É assim a democracia, e não de outra maneira.
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De contrário é a balburdia que conhecemos e a que vimos assistindo de há uns tempos a esta parte e isso não é, a meu ver, positivo para a clarificação do poder e para a vida das Nações.
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E agora também não hesitam, os detractores, em chamar-lhe “populista”, “irresponsável”, “nacionalista radical” e outros adjectivos semelhantes, só porque veio de fora da política, como se a política não dissesse respeito a todos, os que votam e os que são eleitos e vencem as eleições.
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Este quadro de reacções tem-me divertido, mas também me tem feito pensar, como eleitor e cidadão, sobre a necessidade de mudar este estado de coisas.
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Quanto ao resto, como já anteriormente o disse, veremos dentro de um ano ou dois se as suas medidas foram positivas para o povo dos EUA, ou negativas, pois os resultados da maioria dessas medidas que propôs, só se verão nesse prazo.
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Voltando à democracia.
A mentira nas campanhas eleitorais faz parte da Ética democrática? Quanto a mim, não! e é mesmo a sua negação!
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Ora este quadro de um Presidente que, logo após ter tomado posse, começa de imediato a cumprir o que prometeu, é realmente uma “anormalidade”, mas quanto a mim positiva.
E positiva porque sai de uma “normalidade da mentira”.
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Tal facto está realmente a “incomodar” os autoproclamados “arautos da democracia” que temos entre nós, e noutros países do continente europeu.
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Realmente em Portugal, mas também noutros países europeus, a Ética, e o Respeito pela Palavra dada, são conceitos há muito esquecidos ou atropelados pelos “políticos profissionais” com que nos temos deparado nas últimas três décadas. Infelizmente, digo eu.
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E pergunto, será preciso começarem as pessoas a elegerem outras pessoas oriundas da vida prática, empresários, professores, ou de outras profissões, para se reporem os valores da política séria, também em Portugal?
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Cada vez mais me inclino nesse sentido, tal como o tenho afirmado em artigos anteriores.
Se calhar, para se voltar a dignificar a actividade política, é melhor voltar a escolher pessoas que não fazem dessa actividade a sua única profissão, ou o seu único modo de vida.
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Porque digo isto?
Porque tenho da política a visão de que esta deve ser uma Missão de Serviço aos outros, à comunidade nacional, ao País e não uma fonte de poder pelo poder, quando não de obtenção de ganhos próprios, em prejuízo de outros.
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Repito, não sou americano, mas o que tenho tentado fazer, ao analisar o novo Presidente e o seu Programa, é colocar-me “nos sapatos” de um cidadão votante desse país.
E deste ponto de vista, só tenho que saudar essa mudança de paradigma e respeitar a vontade eleitoral da democracia americana.
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Vou mesmo mais longe e direi que, ao contrário, seria mesmo saudável que os políticos europeus de carreira, tão elogiados por comentadores, analistas e outros apensos, tomassem este paradigma do cumprimento da palavra dada, do cumprimento das promessas feitas em campanha, como normal e corrigissem as suas próprias actuações, nessa matéria.
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A Europa ganharia, todos os países ganhariam, porque os eleitores, os cidadãos, deixariam de ter aquela amarga sensação e percepção de que foram enganados pelas “promessas” eleitorais, ao verificarem que estas se revelaram falsas, após as eleições.
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Tal prática que todos temos constatado, além de anti-democrática, pouco ética e desrespeitosa, tem tido como resultado o afastamento dos cidadãos dos actos eleitorais.
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Ou será que é isso mesmo que os políticos profissionais querem, no seu íntimo?
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Confesso que não tenho grande esperança nessa mudança de atitude, em Portugal, e em outros países europeus.
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Veremos o que nos trazem os actos eleitorais de 2017, na Europa, para ver se também aqui alguma coisa muda efectivamente, nesta e noutras matérias.
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(Editorial publicado em 31-01-2017 no semanário que dirijo)
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Para vosso conhecimento.
Miguel Mattos Chaves
 
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